Para pagar pelo material de Hayato e os pais Kazuo teve de vender a tv e cogitava fazer o mesmo com o rádio. As notícias importantes poderia saber no trabalho e na banca de jornais de seu amigo. Venderia o apartamento se não morasse de aluguel, mas não deixaria que nada faltasse ao seu Hayato-kun, agora órfão, e aparentemente seu dependente. Portanto passara a cortar meia hora de seu almoço após as aulas para chegar o trabalho, e sair deste meia hora mais cedo, tomando o trem de mais cedo e podendo estudar. Era o único em quem Hayato poderia contar.
No trabalho não importava o quanto bocejasse, não cessava o ritmo de atividades, antes o contrário, redobrava esforços e tinha cada vez mais tarefas.
- Kazuo-san está se esforçando está semana, não é mesmo? - Naru.
- Hai! Devo esforçar-me pela empresa. Quem sabe uma promoção a vista. - Kazuo.
- Ah… quanto interesse… Antes de ser promovido deve deixar de ser um estudante.
- Hai! Apenas mais dois anos e poderei me formar.
- Ni? Acabaria em um ano e meio!
- Ah, higeki… Não pude fazer a última bateria de provas…
- Uma tragédia mesmo, ah… Mas hoje é final de semana de pagamento… Vamos fazer um happy hour!
- Bem gostaria, mas tenho mais contas do que gostaria, para pagar.
- Ah, não se importe com isso. Naru e eu pagamos as suas bebidas. Por favor, venha conosco. - Hosokawa.
- Se é colocado deste modo, então, arigato. - Kazuo
- Hai! - Naru.
Não era sempre que saia com o pessoal do trabalho e notava o desagrado daqueles que sabiam de sua escolha sexual. Mas no final das contas precisava mesmo de uma bebida e Naru e Hosokawa insistiam tanto que não tivera como recusar.
Saíram tão breve o expediente terminou, e a reunião fora a céu aberto, na cidade vizinha. Uma feira musical. As bancas de comida e bebidas foram enfeitadas com fitas e bandeira de todas as cores, e o correio secreto circulava constantemente para as entregas de cravos e rosas rosadas, amarelas e vermelhas - sem remetentes.
- O que quer beber? - Naru.
- Hai. Pode ser cerveja. - Kazuo.
- E vocês, querem algo?
- Hai! Pode ser uma água, ou um suco. - Hosokawa.
- Ah, qual é… Hoje começa o fim de semana. Mais duas cervejas!
Ela entregou as garrafas aos dois relutantes e seguiram a música até o centro da praça, onde poderiam dançar. Naru e Kazuo tomaram a iniciativa, e logo os outros se enturmaram com duas garotas para também dançarem a música a cada momento mais agitada, e a cada gole a cerveja se tornava mais reconfortante.
Hosokawa virou-se para uma murada baixa e vomitou, parte em cima do homem que irritou-se e o empurrou derrubando-o aos pés de Daichi e Naru. Kazuo de imediato empurrou-o de volta em defesa do amigo.
- Gomend…
- Meu amigo não fez por mal, ele está bêbado, e lamenta muito o ocorrido.
A voz nada pacífica afastou o que queria brigar, achando que apanharia antes que pudesse defender sua honra.
- Daichi, ajude-me a coloca-lo de pé. - Naru.
- Ele tá muito mal, melhor o deixarmos em algum lugar. Você sabe onde ele mora? - Daichi.
Kazuo não tinha atenção a conversa, um homem de pouca barba lhe havia esbarrado e o analisava. Também analisou-o. Não parecia da cidade, deixava o cabelo crescido demais, e as sobrancelhas pareciam cuidadas.
Sem perguntarem-se os nomes se tocaram sem importarem-se com aqueles a volta. Sorvendo a língua um do outro como se fossem estas as últimas bocas beijáveis.
- Kazuo. Kazuo! - Naru.
- Hai. Summimassem. - Kazuo.
- Hosokawa não está bem. Precisa de um lugar calmo pra descansar.
- Eu sabia que Hosokawa não sabia beber… - Daichi.
- Hai. Levem ele pro meu apartamento. - Kazuo.
- Tem certeza? - Naru olhando o outro cara.
- Hai. Vou ficar aqui por um tempo…
Era mais que Kazuo esperava, embora o que lamentou tenha sido não poder ir para a sua casa com aquele sem nome. Não podiam deixar de se tocar e desse modo abriram caminho na multidão, as carícias, até um canto afastado e deserto. Sua cabeça flutuava com o álcool ingerido, sentou-se. Não conseguia livrar-se da camisa, o que fora bom ou não teria pudor algum em despir-se em público.
Não conseguia manter a cabeça no lugar, não emitia som algum além de suspiros. Estaria o outro mais sóbrio do que si? Esperava que sim, porque a muito não sabia mais o que fazer. Nem tentou resistir à liberdade do cinto, mas a mão em seu peito o enlouquecia. Parecia doloroso respirar.
- Você é tão lindo… Qual será o seu sabor?
A música lhe agitava os pensamentos. Hayato estava debruçado sobre si, por que? Hayato lhe batia uma, como tornara-se tão habilidoso? Hayato-kun, como e quando sua boca no seu corpo…
Kazuo lhe abraçou os ombros com os braços descoordenados, deixando que a long neck caísse no chão, quebrando-se. Levantou a cabeça, de olhos fechados, e viu mais estrelas do que haviam, pronto para abraçar o mundo ou ser derrotado por ele.
Percebendo que sugava tudo o que Kazuo lhe dera o homem beijou-o novamente para que nunca mais esquecesse tal sabor. Colocou-lhe a mão no saco, por dentro da roupa, a fim de ganhar uma punheta, era evidente o outro ter bebido demais para um bom boquete.
Colocou seu peito no dele, mesmo vestido era possível sentir um ao outro. Experimentou o ânus do outro. Seria estupro se ali fizessem? Se o deixasse ali após gozar, o outro consideraria ter sido estuprado?
Beijou-o novamente, arrancando o máximo de prazer que poderia, e deixou Kazuo com as roupas sujas de sua porra. Ele praticamente havia adormecido, de qualquer modo.
Kazuo não se recordou do acontecido, e tampouco tentara uma vez que a dor de cabeça o derrotava. Não encontrou a carteira no bolso, e não se importava, não tinha dinheiro algum. Demorou a chegar em casa, mas chegou, e ao ver sua cama ocupada por Naru e Hosokawa, e o sofá por Daichi deixou-se em qualquer canto da sala para descansar.
- Kazuo-san, você demorou. - Naru.
- Fala baixo, Naru, por favor… - Kazuo.
- Ah, vocês que não sabem beber e é minha culpa? Bem, vou cuidar de Hosokawa, ele está muito mal. Não nasceu pra bebida Que bom que estou aqui pra cuidar dele.
- Que bom… - Daichi.
Ela partiu, mas estar ali sozinho com Kazuo incomodava Daichi terrivelmente, já que era um machista hipócrita incorrigível.
- Kazuo-san. - Daichi.
- Hai. - Kazuo.
- Como consegue… Como pode conseguir… Ser tão próximo a rapazes?
- Eu apenas sou, Daichi… Não é algo que possa controlar ou escolher… Não me confortaria com garotas.
- Mas… É tão anti natural…
- É, sei disso. Acho que nasci pra ser contra a natureza, no final das contas…
- Então, não acha que seria mais feliz com uma quente mulher entre os braços?
- Sei que seria muito infeliz.
Quando acordaram novamente por volta de uma da tarde e Naru preparava algo leve que pudessem comer.
- O que esta preparando? - Daichi.
- Não havia muita coisa, por isso vamos comer caldo de cebolas temperado com alho. - Naru.
- Que seja, estou mesmo faminto. - Kazuo.
- Cadê a sua tv? - Daichi.
- Eu a vendi.
- Vendeu a tv?
- Eu precisava de uma grana.
- O que está acontecendo, Kazuo-san? Reprovou na faculdade e vende as coisas de casa…
- Está usando drogas? - Daichi.
- Não! Queria eu ter o dinheiro que se gasta com drogas…
- Então, o que é? - Naru.
- Kazuo baixou a cabeça, pedindo desculpas por algum incomodo.
- Hai. Preciso guardar dinheiro, por isso busco poupar, e terminar a faculdade para um para um melhor cargo. Gommenasai.
- Eu não entendi, mas está bem. - Hosokawa.
- Hai. Eu vou tentar ajudá-lo com os estudos. Pode contar comigo com a faculdade…
- Fala sério?
- Hai. Você não vai mais reprovar até o final dos cursos.
- Arigato, Naru-sensei.
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Higeki
Tragédia.